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domingo, 12 de julho de 2015

Pelo direito de fraquejar




Quantas vezes eu comecei a escrever esse post e parei no meio do caminho...

Quantas vezes eu tive medo de ser mal interpretada, de parecer reclamona, de parecer que eu não amo minha filha e que me arrependo das concessões que fiz em nome dela, mas não é nada disso, é apenas cansaço de uma rotina que muitas vezes isola a gente.

A gente se ocupa tanto dos remédios, tratamentos, exames, terapias e cuidados que de repente a gente vê que se afastou de tudo, que se isolou do mundo, que os dias passam tão corridos que anos vão embora e a gente nem sente.

Eu olho pra trás e vejo o quanto a gente avançou, eu olho pra Sarah e vejo o quão benéfica foi minha presença constante, mas ao mesmo tempo eu me cobro pelas coisas que não consegui realizar. Eu sei que é muito nobre viver em prol dos filhos, reconheço que não é um tempo perdido, mas ao mesmo tempo a sociedade é muito cruel ao cobrar sempre das mulheres a conta de tudo que não funciona.

Eu estudei muito, durante a vida toda fui aluna exemplar, fiz curso técnico, superior, tinha um ótimo emprego quando a Sarah adoeceu, hoje sou fotógrafa, profissão incrível, que tem como missão registrar os melhores momentos da vida das pessoas, mas mesmo como fotógrafa eu tenho várias limitações por causa do tratamento e da condição da Sarah, coisa que nem todo mundo entende.

Eu me sinto mal por pensar assim sabe? E sei que corro o risco de ser mal interpretada com esse texto, mas esse nó está na minha garganta faz tempo e muitas vezes colocar aqui é a única forma de desabafar e de pôr pra fora o que o coração remói o tempo todo.

Ela tem ótima evolução, tem complicações características da síndrome dela, mas no geral se desenvolveu muito melhor do que os médicos previam e eles são claros em dizer que a dedicação da família foi fundamental e é por isso que eu não me arrependo nem por um minuto da escolha que eu fiz, mas claro que eu penso que tudo poderia ser diferente.

A gente é forte tanto tempo que quando fraquejamos as pessoas não entendem ou acham que é frescura. É uma dor que só quem sente sabe o quanto dói, a dor de se sentir só, a dor do afastamento de quase tudo.

Tem dia que eu sinto saudade de sair, de ter um motivo pra escolher uma roupa e um sapato bonito pra trabalhar, de tomar aquele cafézinho na lanchonete antes do início do expediente, de sentir aquele alívio gostoso da sexta-feira depois de uma semana inteira de trabalho, de ter um elogio do chefe, enfim, sinto falta de algumas coisas que eu tinha no antigo trabalho.

Mas é claro que eu dou graças a Deus por poder estar perto da Sarah em momentos tão difíceis do tratamento dela, de poder acompanhar de perto a sua reabilitação, de ser responsável por boa parte da ótima recuperação dela.

Espero que quem leia me entenda, não é uma reclamação, não é um arrependimento, nem de longe, é uma constatação de uma situação que a vida me trouxe e que eu não pude escolher nada, fui remando de acordo com a maré e tentando não afundar mesmo em momentos que o barco ameaçava naufragar.

Acredito que muitas mães se identificarão com tudo que eu disse aqui, vão concordar comigo que estar em casa sozinhas de domingo á domingo é muitas vezes massante e desesperador. Eu convivo diariamente com centenas de mães de crianças especiais nas redes sociais, muitas delas em situação mais complicada que a minha, o que a gente tem em comum é o desprendimento em nome dos nossos tesouros, uma dedicação extrema que não tem prazo para acabar, como em uma criança típica.

Eu tenho muita ajuda, dos meus pais, dos meus sogros, de amigos e isso faz toda diferença, porque eu conheço pessoas que tem que se virar sozinhas, sem ajuda de ninguém, porque até a família se afastou. Graças a Deus disso eu não posso reclamar nunca, nem sei como seria minha vida se eu não tivesse esse apoio.

Porque eu resolvi falar desse assunto? Porque eu imagino que como eu, deva haver milhares de mulheres se sentindo solitárias e chateadas por muitas vezes não poder fraquejar nem por um minuto. Esse post é pelo direito de se sentir fraca de vez em quando, de se sentir humana, é pelo direito de poder tirar a capa de super mãe e chorar no cantinho em posição fetal rs.

Um beijo pra quem lê e espero voltar mais alegrinha no próximo post!


3 comentários:

Cristina galassi disse...

Te amo demais sabia? ?????? Bjokas

Pri Rubí disse...

Amiga como vc ta? e a sarinha? saudades imensas d vcs! tem instagram?bjinhos duplos

Quarto de Bebe disse...

OI
adorei o tour q fiz pelo seu cantinho
Abrass Renato

Caixas MDF

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