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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Mamães de UTI

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Há muito tempo queria falar desse assunto, não é a realidade de todas as mães, mas é a realidade de muitas e eu acredito que assim como eu fiquei, todas que passaram por isso estarão marcadas para o resto da vida.
Sim, eu passei por isso e hoje estou com a minha princesa em meus braços linda e saudável…
Sim, tem mães que perderam a batalha, mas eu não vou me lamentar, apenas vou expor o que eu passei e a experiência que vou carregar pra sempre, não estou querendo remoer o passado.
Bom, vamos lá…
Antes da Sarah, eu nunca tinha entrado numa UTI. Nunca tinha visto de perto aquela dura realidade de quem visita todos os dias alguém que ama muito e não sabe se vai sair dali com vida.
Ainda na sala de cirurgia quando a Sarah nasceu e eu ouvi seu chorinho, após a pesagem a pediatra a trouxe para que eu a conhecesse, não pude tocá-la porque ela tinha que ser examinada rapidamente para garantir que não teria hipoglicemia neo-natal (o que não pode ser evitado). Fui informada que ela tomaria LA no berçário apenas para que não desenvolvesse a hipo, mas mesmo assim a glicose dela caiu para 46 (sendo que tinha que ficar acima de 60) e ela foi levada à UTI para monitoramento e tomar glicose na veia.
Fui para o Pós-parto e fiquei quase 4 horas lá, quando desci para o quarto fui colocada com uma mãe que tinha tido parto normal e ficava com o bebê num bercinho ao lado.
Logo após meu marido e minha mãe entraram no quarto e eu logo perguntei da Sarah e minha mãe falou que ela tinha ido para a UTI porque estava com hipoglicemia, me disse que ela estava bem, que era só monitoramento. Mesmo assim eu fiquei preocupada e queria ir vê-la. Passado o tempo recomendado para recuperação da anestesia geral fui levada de cadeira de rodas para vê-la na UTI. Eu nunca vou esquecer aquele momento, ficou registrado na minha memória, ela peladinha (só de fralda), na incubadora, com monitoramento cardíaco, soro na cabecinha e as mãozinhas e pézinhos roxos de picadas para exames e para encontrar veias. Chorei muito naquele momento, tão pequena, tão indefesa e inocente passando por tudo aquilo já, fiquei uns dez minutos olhando pra ela chorando (estava se esguelando de tanto que chorava!) e a enfermeira me levou de volta para o quarto.
Nem preciso dizer que naquela noite eu não dormi, só pensava nela, ouvia o chorinho dos outros bebês nos outros quartos e queria tanto ela ali comigo.
No outro dia quando fui vê-la ela estava também com uma sonda nasogástrica porque tinha vomitado todo o leite que tinha tomado e a médica disse que precisou fazer lavagem estomacal nela e alimentá-la pela sonda. Meu mundo quase caiu porque aquilo era demais pra um serzinho tão indefeso.
Eu ganhei a Sarah na sexta de manhã, no sábado colocaram a sonda e no domingo tiraram porque ela passou a mamar bem e não teve outros episódios de hipoglicemia, fiquei muito feliz quando a médica me disse isso, porém foi no domingo que descobriram que ela tinha desenvolvido icterícia. Por isso teria que tomar banho de luz até a bilirrubina voltar ao normal.
O que aconteceu é que a bilirrubina dela só aumentava e foi então que a médica me disse que o que estava causando isso nela era o fato do meu sangue ser diferente do sangue do meu marido e a Sarah ter nascido com o sangue do pai, isso fez com que meu sangue reagisse contra o dela. Eles chamam isso de icterícia grave e em alguns casos é necessário até transfusão de sangue.
Isso complicava demais as coisas, fazia com que a previsão de alta fosse adiada muitos dias e eu fiquei nesse desespero de não saber quando poderia trazer a Sarah de volta pra casa.
Tive alta na segunda-feira e saí chorando do hospital, meu sonho de nove meses estava na UTI de um hospital e eu olhava para todas as coisinhas dela e sentia aquele vazio da falta dela.
Mesmo de cesárea eu ia todos os dias nas três visitas vê-la, amamentá-la e ordenhar leite para as outras mamadas. Era cansativo e até perigoso, mas eu queria estar ao lado dela, para que ela sentisse o calor da mãe.
Nessa rotina eu conheci muitas mães, muitos bebês com estado de saúde muito mais crítica que a Sarah, bebês que nasceram muito antes do tempo e ficariam meses alí na UTI, bebês que passavam por cirurgias complicadíssimas após nascer e tive contato com aquela realidade deprimente da UTI de um hospital onde vidas são salvas e outras são perdidas.
Oito dias depois eu pude trazer a Sarah para casa, mas de tudo isso ficou uma lição muito valiosa pra minha vida: Nunca reclamar de nada, há pessoas em situação muito piores que a nossa. Parar de pensar que meu problema é maior que o dos outros, porque não é, tem coisa muito pior por aí e as pessoas superam, aprendem a conviver.
Saí dessa experiência muito mais madura, entendendo que a vida nem sempre é um mar de rosas como a gente sonha e a gente tem que encarar, correr atrás e buscar vencer os desafios.
Depois que saí daquela rotina, continuei rezando por todos aqueles bebês, gente como é difícil ver nossos filhos naquelas condições, é triste demais.
É bom passar por dificudades, só assim aprendemos a dar valor ao que somos e temos.
O post ficou mega grande, mas precisava contar essa experiência para deixar registrado.
Bjus!!!

1 comentários:

- Anine Pinheiro - disse...

Eu acompanhei minha afilhada q ficou dois meses na uti. Era mesmo muito, muito dificil. Letícia não se alimentava normalmente, só através de sonda, e isso ainda durou mais 1 ano em meio, dps q saiu da uti. Lembro q minha amiga ficava arrasada e sempre me pedia pra falar para as pessoas q a filha dela era saudável. Ela nunca fez drama e nem reclamou, foi forte e se tornou uma pessoa muito mais madura.
Achei lindo seu relato e te admiro ainda mais!!!
Parabéns pela Sarah que já chegou vencendo!!

Beijos

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